Níveis alarmantes de violência

Níveis alarmantes de violência

O assassinato da estudante Nathália Araújo Zucatelli em Goiânia, segunda-feira, fez reacender o debate sobre os índices de violência em Goiás, especialmente contra a mulher. O Estado ocupa o 3º lugar no ranking de mortes violentas de mulheres no País, segundo dados do estudo Mapa da Violência 2015: Homicídio de Mulheres. Em 2003 foram registrados 143 casos. Já em 2013, esse número passou para 271, uma alta de 89%.
A taxa de mortes violentas de mulheres no Estado no período passou de 5,4 para 8,6 a cada 100 mil habitantes. Esse resultado deixou Goiás empatado com o Estado de Alagoas, na terceira posição. Segundo os dados, Goiânia aparece na 5ª posição entre as capitais do País, com taxa de 9,6 homicídios de mulheres a cada 100 mil habitantes. Em 2003 as mortes violentas de mulheres somaram 38. Já em 2013 chegaram a 68.
Alexânia se destacou no ranking dos pequenos municípios. Segundo a pesquisa, a cidade, que tem população feminina aproximada de 11.947, é a segunda do País em homicídios, com taxa de 25,1 a cada dez mil mulheres. Em primeiro lugar está Barcelos (AM), com taxa de 45,2. As estatísticas da violência em âmbito nacional também são preocupantes. O Brasil tem uma taxa de 4,8 homicídios para cada 100 mil mulheres, a quinta maior do mundo, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), que avaliou um grupo de 83 países.
É inegável, porém, que os dados apresentados colocam Goiás em situação desconfortável e cabe ao governo do Estado, em especial à Secretaria de Segurança Pública, esboçar alguma medida de proteção ao cidadão. O avanço da violência não se dá somente nos centros urbanos. Os dados mostram sua interiorização, que migra dos grandes centros também para as cidades pequenas.
A violência em Goiás atingiu níveis alarmantes. Nos últimos cinco anos foram registrados 12.219 homicídios em Goiás e outras 476 pessoas foram vítimas de latrocínio. Os registros de roubos e furtos são astronômicos. A violência em Goiás vem crescendo sistematicamente nos últimos 20 anos. De lá para cá o número de homicídios por cada grupo de 100 mil habitantes cresceu 230%. Em 1998 o Estado era o 18º mais violento do País e hoje ocupa a 5ª posição. Goiânia, pelo quarto ano consecutivo, figura entre as 30 cidades mais violentas do mundo, com uma taxa de homicídios de 38,23 mortes por cada 100 mil moradores.
O efetivo da Polícia Militar hoje é ligeiramente menor do que o de 16 anos atrás e nesse período a população do Estado cresceu 30%. Em 1998 a corporação tinha cerca de 13 mil policiais e hoje conta com pouco mais de 12 mil. Na proporção de PMs por moradores, Goiás é o 7º pior do Brasil, com 1 policial para 502 habitantes. No caso da Polícia Civil a situação é ainda pior. A instituição, que em 1998 tinha 6 mil servidores, hoje tem apenas 3,2 mil. Ou seja, quase dobramos a população do Estado e diminuímos pela metade o número de servidores da Polícia Civil.
Existe uma priorização da repressão estatal violenta ao invés de uma maior aparelhagem da inteligência no esclarecimento dos crimes e na aplicação da Justiça. É preciso buscar as causas da violência, favorecer o acesso da população carente aos bens públicos como saúde, educação, segurança, transporte e ao mercado de trabalho.
O cidadão aguarda resultados mais favoráveis nos níveis de segurança pública, responsabilidade do governo do Estado. Não basta o Estado ficar esperando emenda à Constituição, garantindo vinculação constitucional de recursos para a área. O governo foi eleito para tomar decisões e garantir a segurança do cidadão.

*Artigo publicado no jornal O Popular de 26 de fevereiro de 2016